Quando se fala em ghostwriter, muita gente pode achar que isso é algo novo – contemporâneo. Porém, a verdade é outra: ghostwriter existe desde sempre. Muito provavelmente, você já leu – e até admirou – textos que não foram escritos apenas por quem assina a capa.
A escrita nunca foi tão solitária quanto a gente gosta de fingir
A ideia do autor solitário, trancado em um quarto de uma mansão na beira de um lago, criando tudo sozinho, é uma construção romântica. Gostaria? Sim! Porém isso é pouco fiel à realidade.
Durante séculos, a escrita foi:
-
ditada,
-
revisada,
-
reescrita,
-
organizada por outras mãos.
Antes mesmo de existir a palavra ghostwriter, já existiam pessoas que:
-
ouviam histórias,
-
organizavam pensamentos,
-
transformavam falas em texto.
Só não apareciam.
Ditado, cartas e discursos: o embrião do ghostwriting
Muitos textos históricos nasceram da oralidade e não da palavra escrita.
Governantes, líderes religiosos, intelectuais e figuras públicas:
-
ditavam cartas,
-
discursos,
-
relatos de vida.
Quem escrevia? Secretários, escribas, assessores, ou seja, pessoas com o ofício de escutar e registrar. Agora, adivinha de quem era o nome que vinha no final? Quase nunca era o de quem escreveu. Isso não era visto como fraude, mas sim como função.
Autobiografias que nunca foram “só do autor”
Autobiografias são, talvez, o exemplo mais conhecido e mais mal compreendido. É comum imaginar que alguém simplesmente senta e escreve a própria vida do início ao fim. Mas, na prática, o processo costuma ser outro:
-
longas conversas
-
entrevistas gravadas
-
memórias fragmentadas
-
lembranças contraditórias
O trabalho de quem escreve é:
-
organizar o tempo,
-
dar ritmo à narrativa,
-
encontrar uma voz coerente.
Ou seja: transformar uma vida em um livro. Desafiador, né? Muitos autores reconhecem esse “suporte editorial”. Outros não entram em detalhes. Fato é: raríssimas autobiografias nascem sem algum tipo de escrita compartilhada.
Ghostwriter não é invenção do mercado, é tradição da escrita
O que mudou não foi a prática. Foi o nome. Hoje chamamos de ghostwriter aquilo que, durante muito tempo, foi entendido como escrita por encomenda. A diferença é que, agora, isso virou um serviço estruturado, com contratos, ética e método. A essência continua a mesma: alguém conta e alguém escreve.
Você já leu ghostwriters (mesmo sem saber)
Talvez você já tenha:
-
se emocionado com uma autobiografia,
-
aprendido com um livro técnico,
-
se inspirado com um discurso,
-
se reconhecido em uma história de vida.
E talvez nunca tenha parado para pensar que, por trás daquele texto, havia:
-
alguém escutando,
-
alguém organizando,
-
alguém escolhendo palavras com cuidado.
O ghostwriter pode não aparecer, mas a marca do trabalho está ali – potencializando a história do autor! Existe um mito de que contratar um ghostwriter é “não escrever de verdade”. Na prática, o que acontece é o contrário. Um bom ghostwriter não substitui a voz do autor. Pelo contrário, apenas ajuda a voz do cliente aparecer com muito mais clareza. Especialmente quando a história é grande demais ou o tempo é curto. A escrita sempre foi um trabalho coletivo, mesmo quando só um nome aparece na capa.
