guarda esse teu sonho
não há espaço para magia aqui
te falaram que era só saber servir
então tá
me doei
e de tanto me doar, m e d o e i
e agora?
coloco no bolso as dores? faço um quadro? levo para viajar? como é que eu sigo?
faz. executa. sangra. entrega tuas entranhas.
> e ainda sim, pede desculpa <
não há nada para contemplar aqui
não posso mais voltar atrás
não há tapetes mágicos no deserto
e agora?
como é que eu vou fingir?
como é que eu vou editar?
como é que eu vou performar?
não tem mais algoritmo e nem plateia
cadê?
onde está?
comi. comprei. bebi. silenciei. me distraí
o partido político
a análise
a crítica
a opinião
tudo parece tão distante quando o destino devia ser o olhar sobre minha própria visão
e então
afundo ou marcho?
continuo
quanto de ar ainda tem nas minhas palavras?
não sei
mas se você me perguntar:
você se ama mesmo assim?
vê
mas me amar também não é sobre isso?
eu insisto
porque afundando ou marchando, sigo agora com meu desejo no topo
a morte já não é mais medo
é que agora eu quero
e eu quero tudo
transbordo meu inconsciente
convido: transborda o seu também
que entre mortas e feridas, salvamo-nos todas
bota na boca o palato da sua existência
quem é você longe do medo?
caça teu esqueleto
não espera ajuda
porque se ninguém vier
você é o seu museu de descobertas
escava
encarna
tá sentindo?
você tá sentindo?
vocês estão sentido?
vozes antigas sopram segredos no ouvido: vai
em frente
E N F R E N T E
hoje não há tempestade de areia capaz de nos parar
porque nós aprendemos a ventar
levantar
andar
correr
não há maldição que alcance o peito da mulher que sabe tudo o que custou para continuar
conversa com as estrelas
elas já viram tanto
em prece
, canto
e quem sabe se essa melodia resolver pegar
se alguma de vocês puder escutar
quem sabe J U N T A S
acendemos o sonho,
fogo que nunca mais poderá se apagar