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“mas pra que mudar tudo assim o tempo todo?”

quando mais nova, vira e mexe arrastava os móveis do lugar

“mas pra que mudar tudo assim o tempo todo?

estou investigando…

então, sem tirar os pés do chão, visito as pegadas desse passado

sentir a superfície a cada passada por um solo que hoje me sustenta

mas que já foi cerâmico, poroso e por tantas vezes oleoso

dura?

e vou deixar de questionar?

tá em mim…

tirar as coisas do lugar, provocar, discordar, incomodar

é, eu devolvo tudo aquilo que não é meu

é que isso de ser boazinha já me fodeu

é preciso saber ouvir a raiva

do espaço tempo em que me encontro, contemplo furacões

já conheço o caos, e essas peças que ramgiramgiramgiramgi

já partiu? não há mais paredes aqui – que seja assim!

entendo. me parto em pedaços. <não em cacos>

mas sim essa terra que assenta, fundamenta, nutre, germina

a hora de deixar viver, a hora de deixar morrer

levanto, articulo, empurro, abro espaço

eu

O

C

U

P

O

espaços

com meu tamanho, com meu verbo, com minha voz

veja, ocupo. não me culpo. não mais. recomendo

um movimento feito fora da conta

eu nunca gostei de matemática

não lido bem com etiqueta

árida

ávida

sei que não estou só

eu não ando só

não se levanta móveis sozinha

é preciso mesmo um teto sobre a cabeça

a minha, as nossas, as de tantas outras

do alto da cama, vejo meu sonho chegar

se ainda não puder realizar

durmo, mas saiba:

amanhã vou acordar. eu aprendi a esperar

e de novo

e de novo

e de novo

eu sou mesmo aquela que muda tudo o tempo todo

gabrielle-albuquerque

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